
O secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, visitou algumas aldeias e comunidades indígenas Guarani Kaiowá na região sul do Estado de Mato Grosso do Sul à pedido do Presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis.
Em coletiva a imprensa na tarde desta terça-feira (31/01), na Cúria Arquidiocesana de Campo Grande, dom Leonardo, ao lado do arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa, se pronunciou sobre a situação em que se encontram os indígenas e a grave situação de violência presente nas aldeias e comunidades indígens.
Dom Leonardo começa relatando que "a situação é muito preocupante e desperta em nós um sentimento de revolta e a sensação de impunidade ". Ele salientou que para os povos indígenas a terra tem uma importância direfente da que tem para outros povos: "A terra para os índios é o lugar da vida, mas não é qualquer terra é a terra de seus antepassados".
No tekoha Guaiviry, local onde vivia o cacique Nisio Gomes, desaparecido depois de ataque de pistoleiros em 18 de novembro do ano passado, o secretario geral da CNBB visitou o lugar em que Nisio caiu baleado, e com autorização do povo que permanece no local fez uma oração, percorreu o acampamento, visitou o rio e mostrou-se emocionado com a receptividade alegre das crianças, mesmo em meio a tantas dificuldades e violência. Os indígenas pediram a Dom Leonardo que os ajude a recuperar o tekoha.
"Na aldeia os índios estão com as cabeças raspadas em sinal de luto. E o sofrimento maior é por não saberem onde está o corpo. Isso para eles é muito doloroso, pois em algumas aldeias o ritual de luto duram até 10 dias, depois enterram o corpo dentro da casa da família. Para os indígenas os rituais são fundamentais e agora, neste caso, eles estão sem referência. A Aldeia está com medo e insegura".
Ao falar sobre soluções, o bispo foi categórico. "A Igreja pode apoiar através do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) , reunir, promover encontros buscando diálogo com o governo. A resolução desta situação compete ao Estado."
Finalizando, dom Leonardo Ulrich destaca que "os índios querem justiça mas não querem confronto" e que a "discriminação com o índio não é só em Mato Grosso do Sul, o preconceito no Brasil é muito forte."
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