Realizou-se às 9h da manhã desta quinta-feira, 15, por iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil - MS, da Comissão Regional de Justiça e Paz, do Regional O1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e de lideranças indígenas do estado, um ato cívico-religioso em memória dos mais de 250 indígenas mortos em nosso estado.
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O ato presidido pelo Pe. Paulo Vital, pároco da Catedral de Nossa Senhora da Abadia e Paróquia Santo Antônio, contou com a presença dos representantes das entidades organizadoras, de um grupo de irmãs Lauritas, da Pastoral Indígena, membros de diversos organismos indignados com o sofrimento dos povos indígenas em MS, e familiares de indígenas de diversas etnias.
O ato iniciou-se com a palavra da secretária executiva da CRJP, Dra. Margarida Cavalheiro, que também leu o Evangelho de Mateus, discurso de Jesus sobre as bem-aventuranças, seguido de breve comentário do Pe. Paulo. A seguir foi passada a palavra ao Pastor Carmelito Canale, da igreja evangélica Al Shadai, terena da aldeia de Rio Bonito.
O momento mais emocionante do evento foi o discurso do cacique Kaiowa-Guarani, Nito Nelson, que fez um relato sentido da dor dos indígenas e seus familiares pela morte cruel de seus companheiros no dia 18 de novembro passado. Foi essa mais uma violência que se soma a muitas outras que vêm sendo feitas contra os indígenas em nosso estado. O cacique ressaltou que os indígenas são cidadãos, eleitores, trabalhadores, estudantes, que são massacrados pelo simples fato de serem indígenas e por isso não têm seus direitos respeitados.
Logo após o discurso do cacique foi entoado o canto Oração de São Francisco, enquanto os presentes plantavam 250 cruzes brancas no gramado da Praça Santo Antônio, na esquina da Avenida Calógeras com a Rua XV de Novembro e Travessa Lídia Baís.
Fizeram uso da palavra também Dr. Lairson Palermo, representando o CRJP, Dra. Samia e Dr. Wilson Capistrano, pela OAB, Dr. Neila, defensora pública, pela CONDEP, Tereza pelas CEBs, Dr. Afonso pelo Conselho Regional de Psicologia, assim como representantes do CIMI, CUT, e da Comissão de Defesa das Mulheres Indígenas.
A manifestação encerrou-se pouco depois das 11h, na esperança de que a reação da sociedade civil mobilizada provoque uma mudança na forma como os índios estão sendo tratados e que se acelere o processo de demarcação das terras indígenas, para evitar novos atos de violência.
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