Arquidiocese de Campo Grande MS

RSS ARQUIDIOCESE
Você está aqui: Notícias Notícias da Arquidiocese Paróquia Santa Catarina recebe ação social multidisciplinar

Paróquia Santa Catarina recebe ação social multidisciplinar

E-mail Imprimir PDF

O sábado, 3 dezembro, foi diferente para os moradores do Distrito de Anhandui.

Doze profissionais de áreas médicas e jurídica realizaram uma ação social voluntária no Salão de Festas da Paróquia Santa Catarina Virgem e Mártir e atenderam mais de 100 pessoas. A moradora Keila Regina Pereira, mãe do pequeno Raul, de dois meses de idade, foi uma das atendidas e ficou muito satisfeita. “Aqui nós não temos médicos no posto de saúde, que dirá um especialista pediatra”, comentou Keila, acrescentando que não fazia idéia de que o filho estivesse com sintomas de coqueluche.

Segundo Padre Francisco Eduardo Galvão, esses casos são muito comuns. “Temos que levar os doentes para Campo Grande constantemente, não tem nada por aqui, mesmo sendo uma comunidade de quase cinco mil pessoas. Tudo o que você pensar falta aqui”, explica o Padre.

E falta mesmo. Erica Almeida, de 20 anos, mãe de Gustavo Henrique, de 4 anos, sente na pele o problema, literalmente. O pequeno Gustavo tem uma espécie de micose na pele, que ainda não encontrou solução. Mesmo tendo conseguido o atendimento por algumas poucas vezes no posto de saúde e tendo que ter ido a Campo Grande por diversas vezes, a solução do probleminha de saúde do filho ainda não aconteceu. Se não bastasse isso, ela acrescenta que cada incursão até a Capital demanda tempo de fila para marcar data e garantir a vaga. Quando consegue, aí é uma incursão, uma viagem cansativa, que demanda deixar o Distrito, o trabalho e enfrentar filas.

Ambas as mães viram com bons olhos a primeira ação social multidisciplinar realizada pelo grupo de voluntários, liderada pelo médico pediatra, vereador Paulo Siufi. “Todos os profissionais presentes deixaram seus lares, suas famílias, seu lazer e estão imbuídos do espírito da solidariedade, levando atendimento aqueles que necessitam”, destacou Siufi agradecendo a todos os voluntários presentes. Siufi e a médica ginecologista Lilian Maksoud fazem este trabalho há mais de 20 anos. Em cada ação, novos profissionais passam a auxiliar a dupla.

A iniciativa deste atendimento partiu do Padre Eduardo Galvão, que procurou Elizabeth Prestes Gelatti, da Pastoral Social da Paróquia São Sebastião e o advogado Daniel Novaes, que não mediram esforços em organizar o grupo de Paulo Siufi para a ação. Para Daniel, que já conhecia a realidade do Distrito, é preciso olhar com outros olhos para esta comunidade. “Anhandui existe na teoria. Na prática não é olhada pelos olhos públicos como deveria. Para funcionar administrativamente precisaria ter uma unidade administrativa com poderes e ser vista com olhos mais humanos. Ações como a iniciativa do Sebrae – que ministrou cursos sobre a venda de artesanatos e iguarias como pimentas – não resultou no esperado, que seria uma melhora na condição social, apenas trouxe um refresco, mudando o quadro de subvida para sobrevida, ainda longe do ideal”, afirma Daniel.

A observação feita pelo advogado, sem completa quando dona Rosalina Rosa da Paz, moradora do Distrito afirma que até para medira a pressão arterial enfrenta dificuldades. E os problemas não param por aí. Na ação social dona Rosalina, de 65 anos, viúva há quatro anos, busca resolver um inventário da casa onde mora e ainda não teve como fazer por falta de atendimento social na área jurídica. “Não tenho como pagar e acho que tenho direito de resolver isso sem gastar com advogado”, afirmou. Rosalina foi atendida por um voluntário da equipe.

O senhor Hermínio Djorge, de 78 anos, dos quais 30 foram vividos em Anhandui, as soluções são muito simples. “Acredito que coisas simples resolvem o problema do Distrito. Se não dá para ter médico aqui, seria bom que tivesse pelo menos duas ambulâncias. Assim quando uma quebrar, nós não ficamos sem atendimento, pelo menos. Mas aqui hoje até que está bom. Quando cheguei aqui, nem luz tinha. Mas continuamos “pinchados”, sem quase nada”, comentou Djorge.

O Padre Eduardo, que está há três anos na Paróquia, sentiu as mudanças ocorridas na comunidade com o trabalho que consegue realizar, com apoio de pessoas compromissadas como o vereador Paulo Siufi, que sempre apóia suas iniciativas. “Quero que isso se torne uma rotina. Vamos fazer muitas ações como essa. A igreja, que só tinha oito fiéis, hoje está sempre lotada. Bom sinal”, lembra o Padre.

Afinal, o que falta são ações, pois talentos não faltam na comunidade. Um exemplo é Serginho da Viola, que recebeu o grupo de voluntários com duas músicas de viola. Com apenas 13 anos de idade, com composições próprias e interpretando clássicos do sertanejo de viola, o menino é um talento nato. “Aprendi assistindo DVDs”, brinca, fazendo parecer coisa tão fácil, que qualquer um poderia fazer. Tão simples como essa ação de voluntários, que aos olhos dos que vêem, não é possível fitar o talento interior de cada um e a vontade de um grupo de pessoas que buscam tornar a vida de muitos mais humana.

Carlos Kuntzel

Clique na foto para ampliar




Pessoas que leram este artigo também leram:

Deixe seu comentário:

Comentar


Código de segurança
Atualizar