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Falência da Instituição Família? Depende de você!

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Falência da Instituição Família? Depende de você!Os brasileiros assistem diariamente noticiários diversos a respeito de crimes violentos ocorridos Brasil afora e a cada dia a sociedade vem cobrando dos órgãos policiais ações efetivas no sentido de refrear tais ocorrências.

As cobranças são salutares, eis que reflexo da solidificação paulatina e irreversível do estado democrático de direito instalado na nação. Todavia se faz necessária uma profunda reflexão.

O art. 144 da Constituição Federal assevera que a segurança pública é dever do Estado, mas também direito e responsabilidade de todos, e nesse sentido devemos aspirar a verdade inafastável de que todos nós, brasileiros, temos nossa parcela de responsabilidade com a segurança pública.
Nesse sentido precisamos estudar alguns fenômenos atuais que, a primeira vista podem parecer desconectados com a questão em pauta, mas na realidade são reais fomentadores da violência e criminalidade: A falência da instituição família.

Percebemos de forma generalizada que filhos não respeitam mais a autoridade familiar, pais e mães não conseguem mais impor limites a filhos, inclusive em idade infantil.
Resultado: Crianças e adolescentes desprovidos de valores morais, de respeito a hierarquia e a autoridade;

Ora, um indivíduo que não é forjado para obedecer a autoridade familiar quando criança ao se tornar um adulto será um indivíduo não apto a respeitar autoridade da lei e de agentes públicos. Quando criança, ao desrespeitar os pais faz uma "arte". Quando adulto, ao não respeitar as normas em vigor comete um "crime".
Esse fenômeno é real e verificado em todas as camadas sociais, portanto forçoso admitir que a pobreza não é o fator preponderante para a prática de crimes (até porque essa teoria, perigosamente, faz uma relação direta e preconceituosa entre pobre e  criminoso), mas sim a falta de educação, falta de imposição de valores éticos e morais. Mas quando eclode o crime como conseqüência dessa realidade, a culpa é da polícia.

Onde estão os pais que permitem que filhos adolescentes e até pré-adolescentes permaneçam na rua, em baladas, em bares, de madrugada, desacompanhados?
Será que esses jovens cidadãos têm discernimento e amadurecimento suficiente para agirem conforme as regras sociais, diante da pressão de grupos?
Será que já tem capacidade intelectual para se protegerem dos perigos inerentes da "noite"?

Nas escolas percebemos uma extensão desse problema, com professores desmotivados e amedrontados frente à  agressividade e até violência com que são tratados por determinados alunos, sem que possuam ferramentas para fazer valer a autoridade docente.
Resultado: indivíduos já chegam às instituições escolares com graves deficiências de formação de caráter e continuarão portadores de tais características vez que nas escolas não se verifica possibilidade de reversão.

Nós, pais, devemos nos aperceber que dentre nossa responsabilidade para com a segurança pública está  a obrigação de criar indivíduos providos de valores éticos e morais.
façamos uma reflexão de como estamos criando nossos filhos, qual nossa relação com eles, qual o tratamento recíproco entre nós.

Tenhamos uma certeza, é muito mais carinhoso, amável e fraterno EDUCAR um filho do que RESSOCIALIZAR um criminoso.

Amar é educar, amar é formar um bom cidadão. Façamos nossa parte.

André Matsushita Gonçalves
Delegado de Polícia, Professor Universitário pós-graduado em Direito Penal e Direito Processual Penal e PAI.





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comentários  

 
# Alan Valentim 08-11-2010 11:37
(1) Prezado André, que bom posso ler um texto tão "reflexivo" vindo de uma mente que, via de regra, foi modelada, treinada e docilizada pelo discurso jurídico. Parabéns! Também acho que devemos olhar para a família como que constituindo a base a partir da qual se dará a formação da personalidade do sujeito. Ao mesmo tempo em que me sinto incomodado com alguns trechos do seu texto. Tive a impressão de que achas mesmo que o problema é pura e simplesmente uma questão de “drama familiar” e as leis que a ela caberia incutir, imprimir na personalidade dos sujeitos. Seria isso? A delinqüência, André, é uma produção social; excrementos de uma sociedade capitalista que lança as margens do poder de consumo uma massa de pobres, desvalidos e bestializados. (Continuação)
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# Alan Valentim 08-11-2010 11:37
(2)Isso para dizer que o problema não é tão simples como me pareceu em seu texto. E também não é só uma questão de “problema familiar”. No popular eu diria que O BURACO É MAIS EM BAIXO. Mas acredito que você já dá um passo importante em sua reflexão à medida que demonstra interesse em compreender os motores da produção da delinqüência já na infância. Penso que como delegado deves experimentar de perto a vergonha que deve ser ter de prender “bandidinhos pé de chinelo” nas esquinas imundas dessa cidade, enquanto vai percebendo que os verdadeiros Bandidos comandam as grandes corporações. São os arbitrários que ocupam o poder e que possui força de lei. A esses eu duvido que você consiga dar voz de prisão.
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# Alan Valentim 08-11-2010 11:38
(3) Para esses a “fundada suspeita” não se aplicaria uma vez que aos olhos menos atentos, acostumados com a figura negra da delinqüência, certamente teriam dificuldades de enxergarem quem seriam os verdadeiros bandidos. Por fim gostaria de dizer a você que nem tudo pode ser resumido pelo discurso jurídico (da lei e da ordem). Não é uma questão de código penal e sim uma questão de código moral que há muito foi enterrado. Por fim deixo aqui uma citação de Louis Wacquant que diz “O que a Europa tem de perceber é que a criação do Estado penal não combate o crime, porque não gera emprego, educação, apoio social...”

Boa sorte e bons estudos.
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# Eliana Aguirre 27-03-2012 09:00
Estou com um grupo de alunos na universidade UNIVAG de Várzea-Grande,Mt,do curso de Estética e Cosmética e o assunto trabalhado é "A falencia da família".O seu artigo nos foi muito útil e será debatido em sala de aula já que estamos na sala de informática.Atenciosamente......
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